Abutilon megapotamicum (Spreng.) St. Hil. & Naud.
Nome comum- Lanterna-chinesa
Família- Malvaceae
Origem- Argentina, Brasil e Uruguai
Local- Pico da Pedra
14 de março de 2021
Abutilon megapotamicum (Spreng.) St. Hil. & Naud.
Nome comum- Lanterna-chinesa
Família- Malvaceae
Origem- Argentina, Brasil e Uruguai
Local- Pico da Pedra
14 de março de 2021
Ruta graveolens L.
Nome comum- Arruda
Família- Rutaceae
Origem- Sul da Europa (Ucrânia, Albânia, Bulgária)
Local- Escola Secundária das Laranjeiras
12 de março de 2021
Ficus lyrata
Portulacaria afra
Família-Portulacaceae
Uma árvore rara na Rua de Santana, em
Ponta Delgada
*Raimundo Quintal e Teófilo Braga
No final do mês de setembro de 2020, fomos
alertados para a construção de um parque de estacionamento na Rua de Santana,
em Ponta Delgada, e estivemos envolvidos num amplo movimento cívico que alertou
a Senhora Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada e os cidadãos para a importância
de salvaguardar o património arbóreo existente no local, com destaque para um Ulmeiro
(Ulmus minor), um Jacarandá (Jacaranda mimosifolia), um Dragoeiro
(Dracaena draco subsp. draco), um Salgueiro-chorão (Salix
babylonica), uma Árvore-do-fogo (Brachychiton acerifolius) e um
Alfinheiro (Ligustrum lucidum). Felizmente as seis árvores foram
preservadas e Ponta Delgada ganhou um parque de estacionamento exemplar.
Desde o dia 22 de setembro, enquanto
acompanhávamos as obras no referido parque de estacionamento, passámos a
prestar atenção a uma espécie arbórea localizada no lado contrário e quase no
cimo da referida rua, que até então não tínhamos observado na ilha de São Miguel.
Perante a “descoberta”
colocámos duas questões:
- A que espécie pertence
a desconhecida árvore, debruçada sobre o muro, à frente duma notável Magnólia (Magnolia
grandiflora), ao lado duma vetusta Pitangueira (Eugenia uniflora),
abraçando um pequeno incenseiro (Pittposporum undulatum)?
- Quem a terá introduzido
em São Miguel e plantado no logradouro daquele velho casarão?
A
resposta à primeira questão não foi fácil. A análise das folhas e dos frutos
levou-nos a acreditar que se tratava duma árvore do género Syzygium, uma
prima do Jambeiro (Syzygium jambos), da Acmena (Syzygium ingens)
e do Mirtilo-chorão (Syzygium floribundum), árvores da família Myrtaceae,
presentes nos grandes jardins de Ponta Delgada.
Nada
mais errado! Quando na segunda quinzena de janeiro começaram a aparecer as
flores, logo a primeira hipótese caiu por terra. Aquelas flores não podiam ser
duma espécie da família das Mirtáceas.
Munidos
de bastante informação referente à textura dos ramos, à forma e inserção das
folhas, à morfologia das flores e às características dos frutos desde a sua
formação até ao desprendimento após o processo de maturação, chegámos, após
aturado trabalho de consulta de manuais e sítios na Internet referentes às
floras dos diferentes continentes, à conclusão de estarmos perante uma Olinia
ventosa (L.) Cufod., endémica da África do Sul onde ocorre principalmente
ao longo das regiões costeiras desde a Península do Cabo até ao sul da região
de KwaZulu-Natal.
No
“FIELD GUIDE TO TREES OF SOURTHERN AFRICA” (Braam van Wyk & Piet van Wyk,
1997) encontrámos uma pormenorizada descrição da espécie, que se revelou
fundamental para a identificação da árvore em causa.
Aquando
da edição do precioso guia o género Olinia era o único da família Oliniaceae,
com apenas 10 espécies de árvores e arbustos endémicos do Sul e Este de África.
O género Olinia foi criado em 1799 pelo botânico sueco Carl Peter
Thunberg (1743-1828) em homenagem a outro botânico sueco, Johan Hendrik Olin
(1764-1824).
Em
2009, a família Oliniaceae foi integrada na família Penaeaceae, nativa
da África do Sul, que possui 9 géneros e 29 espécies de árvores e arbustos
perenifólios, com folhas coriáceas (WORLD FLORA ONLINE, A Project of the World
Flora Online Consortium - http://www.worldfloraonline.org/).
De
acordo com Palmer & Pitman (1961), citado em PlantZAfrica.com (http://pza.sanbi.org/olinia-ventosa)
a Olinia ventosa, cujo nome vulgar em inglês é “hard pear” (pera dura),
não frutifica regularmente, chegando a existir um interregno de 5 a 7 anos
entre duas frutificações. Talvez por esta razão a árvore da Rua de Santana, que
no outono – inverno de 2020-2021 produziu abundantes frutos, tenha até agora
passado despercebida.
Atendendo
a que ainda com os frutos a amadurecer já está a produzir inflorescências pouco
vistosas, com flores pequenas de cinco pétalas entre o branco e o verde limão,
vamos estar atentos para verificar se esta nova floração produzirá frutos. Continuaremos,
também, a observar se as flores são procuradas pelas abelhas e outros insetos,
e se algum pássaro come os frutos. Estas observações são importantes para
compreender o comportamento da espécie fora do seu habitat. Na África do Sul a
polinização é feita por insetos e os frutos são apreciados por pássaros, que dispersam
as sementes. Em São Miguel só se conhece este espécime. Queremos perceber
porquê!
Passemos
à segunda questão: Quem a terá introduzido esta árvore em São Miguel e plantado
no logradouro daquele velho casarão?
Consultadas
as listas de espécies de José do Canto, de António Borges e as referidas no Jornal mensal da
"Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense",
“O Agricultor Micaelense”, até ao presente não encontrámos qualquer referência
à espécie mencionada.
Não
nos sendo possível afirmar quem introduziu a espécie em São Miguel, através da
sua localização em terreno adjacente à casa que tem número de porta 74, tudo
leva a crer que a sua chegada a São Miguel poderá ter sido da responsabilidade
de alguém da família Canto.
Com
efeito, a propriedade em questão, de acordo com Bernardo do Canto (1799-1863)
já pertencia à família há talvez dois séculos. Mais recentemente, por escritura feita, em 11 de março de 1922, pelo Notário Raposo de Viveiros, a
casa passou para a posse de Beatriz
do Canto Machado de Faria e Maia (1927-1988), filha de António Cardoso Machado
de Faria e Maia e de sua mulher Maria Ernestina do Canto, esta filha de Ernesto
do Canto (1831-1900). Com o desaparecimento de Beatriz do Canto, cujo nome foi
atribuído ao antigo Parque das Murtas, nas Furnas, a propriedade continua na
família.
A Madeira
e as plantas dos Açores
Desde
o descobrimento das ilhas houve intercâmbio de pessoas e de bens entre os
arquipélagos dos Açores e da Madeira.
No
que diz respeito à vegetação algumas plantas existentes na Madeira foram
trazidas para os Açores, acontecendo o mesmo em sentido contrário.
Lembro-me
de, há alguns anos, ter visitado na ilha da Madeira os magníficos Jardins da
Quinta do Palheiro e ter encontrado uma vidália (Azorina vidalii), espécie
endémica dos Açores que pode ser encontrada em algumas faixas do litoral de
todas as ilhas. Lembro-me de, na ocasião, ter perguntado ao jardineiro o nome
da planta, tendo ele respondido que não conhecia, mas sabia que a planta era
dos Açores.
Da
Madeira para os Açores, temos conhecimento de um pequeno número de plantas,
endémicas ou não daquela região, que foram trazidas para cá para serem usadas
com os mais diversos fins, desde os alimentares aos ornamentais.
Uma das primeiras
plantas trazidas da Madeira foi a cana-de-açúcar (Saccharum officinarum),
no século XV. Oriunda da Ásia a cultura da cana-de-açúcar nos Açores nunca ocupou
a área nem atingiu a produção obtida naquele arquipélago. De acordo com
Carreiro da Costa, o cultivo da cana-de-açúcar deixou de ser praticado, entre
nós, na segunda metade do século XVII e as ilhas Graciosa, Pico, São Jorge e
Corvo não a conheceram como cultura industrial.
A caiota, chuchu
ou pimpinela (Sechium edule), oriunda da América Central, de acordo com
um texto publicado na revista, da SPAM- Sociedade Promotora da Agricultura
Micaelense, “O Agricultor Michaelense”, veio da Madeira, remetida pelo senhor
Camilo José de Gouveia. De acordo com a mesma fonte, daquele arquipélago, vieram
duas variedades, uma que produzia um fruto pequeno e outra cujo fruto tinha
tamanho duplo ou triplo do primeiro.
Outra planta vinda
do arquipélago da Madeira, mais propriamente do Porto Santo, foi a
malva-arbórea (Lavatera arborea). As sementes chegaram aos Açores, em
1845, por intermédio do Tenente-Coronel António Homem da Costa Noronha, tendo
sido semeadas em São Miguel em fevereiro de 1846 e na Terceira e no Faial, em
1848. De acordo com “O Agricultor
Michaelense”, a planta, que podia atingir a altura de 10 pés e a grossura de
duas a três polegadas, era usada para a extração de fios usados no fabrico de
cordas ou em “mimosos bordados”.
O til (Ocotea foetens), árvore
endémica da Madeira e das Canárias que hoje pode ser encontrado no Jardim
Botânico José do Canto, no Pinhal da Paz, na Mata da Lagoa do
Congro, no Jardim
do Palácio de Santana e no Parque Terra Nostra também terá vindo da Madeira.
José do Canto inclui o til, na lista das principais plantas existentes no seu
jardim de Santana em 1856.
Possivelmente de
introdução mais recente, a cletra ou verdenaz (Clethra arbórea),
endémica da Madeira e das Canárias, é hoje em São Miguel uma das invasoras mais
nocivas, podendo ser vista não só em alguns jardins, mas também na Tronqueira
ou nas Lombadas. Embora alguma bibliografia indique que se trata de uma
ornamental escapada de jardins, algumas fontes sugerem que a mesma foi
introduzida a partir da Madeira por um serviço oficial da Região Autónoma dos
Açores.
Cada vez mais
comum nos nossos jardins particulares é o massaroco (Echium candicans), espécie endémica da
Madeira. Cultivada como ornamental, em vários países de clima temperado, o
massaroco apresenta uma inflorescência alongada, que pode atingir 35 cm, com
flores de cor azul ou arroxeada.
Por último, apresento
outra espécie endémica da Madeira, mais rara entre nós, o gerânio da Madeira (Geranium
maderense) que tive a oportunidade de ver e fotografar no Pico da Pedra,
antes de ser destruído pelo fio de uma roçadeira. Podendo atingir até 1,5 m de
altura. sendo o maior dos gerânios, esta espécie tem um grande valor ornamental
dada a beleza das suas flores rosa magenta.
Teófilo
Braga
(Correio
dos Açores,32368, 24 de fevereiro de 2021, p. 11)
Leucadendron argenteum (L.) R.Br.
Origem- Península do Cabo, na África do Sul
Local- Calhetas
15 de fevereiro de 2021
A árvore da prata é uma espécie ameaçada de
extinção por isso é protegida na África do Sul. Dada a sua beleza é cultivada
como ornamental.
Vi-a pela primeira vez na freguesia das Calhetas,
tendo-me chamado a atenção a cor prateada e brilhante das suas folhas.
Por
mero acaso, através da leitura de um texto de homenagem ao Coronel Francisco Afonso
Chaves (1857-1926), acabei por descobrir que foi aquele ilustre micaelense o
introdutor daquela espécie na ilha de São Miguel?
Alguém
conhece outro exemplar na nossa ilha?
Teófilo
Braga
16
de fevereiro de 2021