domingo, 14 de março de 2021

Abutilon megapotamicum (Spreng.) St. Hil. & Naud.

 


Abutilon megapotamicum (Spreng.) St. Hil. & Naud.

 

Nome comum- Lanterna-chinesa

 

Família- Malvaceae

 

Origem- Argentina, Brasil e Uruguai

 

Local- Pico da Pedra

 

14 de março de 2021

sexta-feira, 12 de março de 2021

Ruta graveolens L.

 


Ruta graveolens L.

 

Nome comum- Arruda

 

Família- Rutaceae

 

Origem- Sul da Europa (Ucrânia, Albânia, Bulgária)

 

Local- Escola Secundária das Laranjeiras

 

12 de março de 2021

domingo, 7 de março de 2021

Ficus lyrata

 



Ficus lyrata

Nome comum- Figueira-lira
Família- Moraceae
Origem- África Ocidental, dos Camarões a oeste da Serra Leoa
Local- Escola Secundária das Laranjeiras
2 de março de 2021

Portulacaria afra

 


Portulacaria afra

 Nome comum- desconhecido

Família-Portulacaceae

 Origem- África do Sul

 Local- Escola Secundária das Laranjeiras

 2 de março de 2021

sábado, 6 de março de 2021

Uma árvore rara na Rua de Santana, em Ponta Delgada

 



Uma árvore rara na Rua de Santana, em Ponta Delgada

 

 

*Raimundo Quintal e Teófilo Braga

 

 

No final do mês de setembro de 2020, fomos alertados para a construção de um parque de estacionamento na Rua de Santana, em Ponta Delgada, e estivemos envolvidos num amplo movimento cívico que alertou a Senhora Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada e os cidadãos para a importância de salvaguardar o património arbóreo existente no local, com destaque para um Ulmeiro (Ulmus minor), um Jacarandá (Jacaranda mimosifolia), um Dragoeiro (Dracaena draco subsp. draco), um Salgueiro-chorão (Salix babylonica), uma Árvore-do-fogo (Brachychiton acerifolius) e um Alfinheiro (Ligustrum lucidum). Felizmente as seis árvores foram preservadas e Ponta Delgada ganhou um parque de estacionamento exemplar.

 

Desde o dia 22 de setembro, enquanto acompanhávamos as obras no referido parque de estacionamento, passámos a prestar atenção a uma espécie arbórea localizada no lado contrário e quase no cimo da referida rua, que até então não tínhamos observado na ilha de São Miguel.

 

Perante a “descoberta” colocámos duas questões:

 

- A que espécie pertence a desconhecida árvore, debruçada sobre o muro, à frente duma notável Magnólia (Magnolia grandiflora), ao lado duma vetusta Pitangueira (Eugenia uniflora), abraçando um pequeno incenseiro (Pittposporum undulatum)?

 

- Quem a terá introduzido em São Miguel e plantado no logradouro daquele velho casarão?

 

A resposta à primeira questão não foi fácil. A análise das folhas e dos frutos levou-nos a acreditar que se tratava duma árvore do género Syzygium, uma prima do Jambeiro (Syzygium jambos), da Acmena (Syzygium ingens) e do Mirtilo-chorão (Syzygium floribundum), árvores da família Myrtaceae, presentes nos grandes jardins de Ponta Delgada.

Nada mais errado! Quando na segunda quinzena de janeiro começaram a aparecer as flores, logo a primeira hipótese caiu por terra. Aquelas flores não podiam ser duma espécie da família das Mirtáceas.

 

Munidos de bastante informação referente à textura dos ramos, à forma e inserção das folhas, à morfologia das flores e às características dos frutos desde a sua formação até ao desprendimento após o processo de maturação, chegámos, após aturado trabalho de consulta de manuais e sítios na Internet referentes às floras dos diferentes continentes, à conclusão de estarmos perante uma Olinia ventosa (L.) Cufod., endémica da África do Sul onde ocorre principalmente ao longo das regiões costeiras desde a Península do Cabo até ao sul da região de KwaZulu-Natal.

 

No “FIELD GUIDE TO TREES OF SOURTHERN AFRICA” (Braam van Wyk & Piet van Wyk, 1997) encontrámos uma pormenorizada descrição da espécie, que se revelou fundamental para a identificação da árvore em causa.

 

Aquando da edição do precioso guia o género Olinia era o único da família Oliniaceae, com apenas 10 espécies de árvores e arbustos endémicos do Sul e Este de África. O género Olinia foi criado em 1799 pelo botânico sueco Carl Peter Thunberg (1743-1828) em homenagem a outro botânico sueco, Johan Hendrik Olin (1764-1824).

 

Em 2009, a família Oliniaceae foi integrada na família Penaeaceae, nativa da África do Sul, que possui 9 géneros e 29 espécies de árvores e arbustos perenifólios, com folhas coriáceas (WORLD FLORA ONLINE, A Project of the World Flora Online Consortium - http://www.worldfloraonline.org/).

 

De acordo com Palmer & Pitman (1961), citado em PlantZAfrica.com (http://pza.sanbi.org/olinia-ventosa) a Olinia ventosa, cujo nome vulgar em inglês é “hard pear” (pera dura), não frutifica regularmente, chegando a existir um interregno de 5 a 7 anos entre duas frutificações. Talvez por esta razão a árvore da Rua de Santana, que no outono – inverno de 2020-2021 produziu abundantes frutos, tenha até agora passado despercebida.

 

Atendendo a que ainda com os frutos a amadurecer já está a produzir inflorescências pouco vistosas, com flores pequenas de cinco pétalas entre o branco e o verde limão, vamos estar atentos para verificar se esta nova floração produzirá frutos. Continuaremos, também, a observar se as flores são procuradas pelas abelhas e outros insetos, e se algum pássaro come os frutos. Estas observações são importantes para compreender o comportamento da espécie fora do seu habitat. Na África do Sul a polinização é feita por insetos e os frutos são apreciados por pássaros, que dispersam as sementes. Em São Miguel só se conhece este espécime. Queremos perceber porquê!

 

Passemos à segunda questão: Quem a terá introduzido esta árvore em São Miguel e plantado no logradouro daquele velho casarão?

 

Consultadas as listas de espécies de José do Canto, de António Borges e as referidas no Jornal mensal da "Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense", “O Agricultor Micaelense”, até ao presente não encontrámos qualquer referência à espécie mencionada.

 

Não nos sendo possível afirmar quem introduziu a espécie em São Miguel, através da sua localização em terreno adjacente à casa que tem número de porta 74, tudo leva a crer que a sua chegada a São Miguel poderá ter sido da responsabilidade de alguém da família Canto.

 

Com efeito, a propriedade em questão, de acordo com Bernardo do Canto (1799-1863) já pertencia à família há talvez dois séculos. Mais recentemente, por escritura feita, em 11 de março de 1922, pelo Notário Raposo de Viveiros, a casa passou para a posse de Beatriz do Canto Machado de Faria e Maia (1927-1988), filha de António Cardoso Machado de Faria e Maia e de sua mulher Maria Ernestina do Canto, esta filha de Ernesto do Canto (1831-1900). Com o desaparecimento de Beatriz do Canto, cujo nome foi atribuído ao antigo Parque das Murtas, nas Furnas, a propriedade continua na família.

 

 

 

 

 


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

A Madeira e as plantas dos Açores

 


A Madeira e as plantas dos Açores

 

Desde o descobrimento das ilhas houve intercâmbio de pessoas e de bens entre os arquipélagos dos Açores e da Madeira.

 

No que diz respeito à vegetação algumas plantas existentes na Madeira foram trazidas para os Açores, acontecendo o mesmo em sentido contrário.

 

Lembro-me de, há alguns anos, ter visitado na ilha da Madeira os magníficos Jardins da Quinta do Palheiro e ter encontrado uma vidália (Azorina vidalii), espécie endémica dos Açores que pode ser encontrada em algumas faixas do litoral de todas as ilhas. Lembro-me de, na ocasião, ter perguntado ao jardineiro o nome da planta, tendo ele respondido que não conhecia, mas sabia que a planta era dos Açores.

 

Da Madeira para os Açores, temos conhecimento de um pequeno número de plantas, endémicas ou não daquela região, que foram trazidas para cá para serem usadas com os mais diversos fins, desde os alimentares aos ornamentais.

 

Uma das primeiras plantas trazidas da Madeira foi a cana-de-açúcar (Saccharum officinarum), no século XV. Oriunda da Ásia a cultura da cana-de-açúcar nos Açores nunca ocupou a área nem atingiu a produção obtida naquele arquipélago. De acordo com Carreiro da Costa, o cultivo da cana-de-açúcar deixou de ser praticado, entre nós, na segunda metade do século XVII e as ilhas Graciosa, Pico, São Jorge e Corvo não a conheceram como cultura industrial.

 

A caiota, chuchu ou pimpinela (Sechium edule), oriunda da América Central, de acordo com um texto publicado na revista, da SPAM- Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, “O Agricultor Michaelense”, veio da Madeira, remetida pelo senhor Camilo José de Gouveia. De acordo com a mesma fonte, daquele arquipélago, vieram duas variedades, uma que produzia um fruto pequeno e outra cujo fruto tinha tamanho duplo ou triplo do primeiro.

 

Outra planta vinda do arquipélago da Madeira, mais propriamente do Porto Santo, foi a malva-arbórea (Lavatera arborea). As sementes chegaram aos Açores, em 1845, por intermédio do Tenente-Coronel António Homem da Costa Noronha, tendo sido semeadas em São Miguel em fevereiro de 1846 e na Terceira e no Faial, em 1848.  De acordo com “O Agricultor Michaelense”, a planta, que podia atingir a altura de 10 pés e a grossura de duas a três polegadas, era usada para a extração de fios usados no fabrico de cordas ou em “mimosos bordados”.

 

O til (Ocotea foetens), árvore endémica da Madeira e das Canárias que hoje pode ser encontrado no Jardim Botânico José do Canto, no Pinhal da Paz, na Mata da Lagoa do

Congro, no Jardim do Palácio de Santana e no Parque Terra Nostra também terá vindo da Madeira. José do Canto inclui o til, na lista das principais plantas existentes no seu jardim de Santana em 1856.

 

Possivelmente de introdução mais recente, a cletra ou verdenaz (Clethra arbórea), endémica da Madeira e das Canárias, é hoje em São Miguel uma das invasoras mais nocivas, podendo ser vista não só em alguns jardins, mas também na Tronqueira ou nas Lombadas. Embora alguma bibliografia indique que se trata de uma ornamental escapada de jardins, algumas fontes sugerem que a mesma foi introduzida a partir da Madeira por um serviço oficial da Região Autónoma dos Açores.

 

Cada vez mais comum nos nossos jardins particulares é o massaroco (Echium candicans), espécie endémica da Madeira. Cultivada como ornamental, em vários países de clima temperado, o massaroco apresenta uma inflorescência alongada, que pode atingir 35 cm, com flores de cor azul ou arroxeada.

 

Por último, apresento outra espécie endémica da Madeira, mais rara entre nós, o gerânio da Madeira (Geranium maderense) que tive a oportunidade de ver e fotografar no Pico da Pedra, antes de ser destruído pelo fio de uma roçadeira. Podendo atingir até 1,5 m de altura. sendo o maior dos gerânios, esta espécie tem um grande valor ornamental dada a beleza das suas flores rosa magenta.

 

Teófilo Braga

(Correio dos Açores,32368, 24 de fevereiro de 2021, p. 11)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Leucadendron argenteum (L.) R.Br.





Leucadendron argenteum (L.) R.Br.

 Nome comum- árvore da prata

 Família: Proteaceae

Origem- Península do Cabo, na África do Sul

Local- Calhetas

15 de fevereiro de 2021

 

A árvore da prata é uma espécie ameaçada de extinção por isso é protegida na África do Sul. Dada a sua beleza é cultivada como ornamental.

 

Vi-a pela primeira vez na freguesia das Calhetas, tendo-me chamado a atenção a cor prateada e brilhante das suas folhas.

 

Por mero acaso, através da leitura de um texto de homenagem ao Coronel Francisco Afonso Chaves (1857-1926), acabei por descobrir que foi aquele ilustre micaelense o introdutor daquela espécie na ilha de São Miguel?

 

Alguém conhece outro exemplar na nossa ilha?

 

Teófilo Braga

16 de fevereiro de 2021