segunda-feira, 23 de setembro de 2024
Barrileiro
Barrileiro
O barrileiro ou loureiro-da-nova-zelândia (Corynocarpus laevigatus) é uma planta da família Corynocarpaceae, nativa da Nova Zelândia, que se encontra naturalizada em muitas regiões do globo.
De acordo com Saraiva (2020) o terno Corynocarpus provém do grego Karyne -pau, cacete e karpos-fruto- aludindo à forma dos frutos. Por sua vez Laevigatus vem do latim e significa liso, macio.
A sua chegada a São Miguel terá ocorrido no século XIX, segundo Fouqué, por volta de 1850, com fins ornamentais e para utilização em sebes vivas devido à necessidade de proteção de culturas altamente prejudicadas pelos ventos.
Como espécie ornamental o barrileiro já fazia parte das plantas existentes no Jardim de José do Canto, em 1856, e, em 1865, constava do catálogo das plantas existentes no Jardim António Borges, ambos em Ponta Delgada.
O barrileiro é uma árvore de folhas persistentes que pode atingir 15 m de altura e possui uma longevidade que pode alcançar 120 anos.
O tronco do barrileiro é robusto podendo atingir 1 m de diâmetro. As suas folhas são coriáceas, com a cor verde-escura brilhante na página superior e um pouco mais pálidas na inferior. As flores, que surgem em março e em abril, são muito pequenas e apresentam uma coloração verde-amarelada. Os frutos são drupas ovoides de cor laranja quando estão maduras, o que acontece no final do verão ou no outono. Enquanto a polpa do fruto é comestível, embora por vezes seja um pouco amarga, as sementes frescas contêm um alcaloide tóxico.
Sobre a utilização do barrileiro nos Açores, Arlindo Cabral, engenheiro agrónomo, num texto intitulado “Sebes vivas ou abrigos, nos Açores-subsídios para o seu estudo”, publicado, em 1953, no nº 17 do Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, escreveu o seguinte:
“Árvore de folha persistente, originária da Nova Zelândia, aparece com certa frequência a formar sebes vivas, embora não esteja generalizado o seu emprego. Também a vemos em praças ou jardins como árvore de sombra. Embora tenha boas características gerais, com bom porte, fechando regularmente e razoável resistência aos ventos, está condenada porque o seu fruto torna-a num hospedeiro de mosca do Mediterrâneo, terrível inimiga dos nossos laranjais e de outras fruteiras.”
Num outro texto, da autoria de José Norberto Brandão de Oliveira, Professor Associado da Universidade dos Açores, intitulado “Espécies vegetais usadas nos Açores na formação de sebes”, publicado, em 1985, pela Universidade dos Açores, no capítulo dedicado às sebes altas de proteção de frutícolas, pode ler-se que o barrileiro, também conhecido por loureira, é “cada vez menos utilizado, em parte porque o seu fruto é hospedeiro da mosca do mediterrâneo.”
O barrileiro propaga-se muito bem por sementes, mas também por estacas, usando madeira semilenhosa.
Em Portugal continental existem vários exemplares notáveis, de que são exemplo, em Lisboa, no Jardim do Torel, no Jardim da Estrela, no Jardim Botânico da Ajuda e no Campo Mártires da Pátria. (Saraiva, 2020).
Na ilha da São Miguel é possível encontrar barrileiros em algumas sebes, sobretudo em Vila Franca do Campo, e em quintais, quintas e espaços ajardinados um pouco por toda a ilha. Aos interessados, em conhecer a espécie, recomenda-se uma visita ao Jardim António Borges, ao Jardim do Palácio de Santana e ao Jardim Botânico José do Canto, em Ponta Delgada, ao Parque Beatriz do Canto, nas Furnas, e à Baixa da Areia, na Caloura, freguesia de Água de Pau.
24 de setembro de 2024
Teófilo Braga
sábado, 7 de setembro de 2024
Jambeiro
Jambeiro
Hoje,
ainda poucas pessoas conhecem o jambeiro, jambo ou jambreiro e as mais idosas
que a conhecem referem imediatamente o “sabor a rosas” do seu fruto.
O
jambeiro, cuja designação científica é Syzygium jambos L. (Alston), é
uma planta, pertencente à família Myrtaceae, nativa
do Sul da China e Sudeste da Ásia até à
Austrália, sendo cultivado em quase todos os países tropicais.
Arbusto ou
árvore que pode atingir até 15 metros de altura, mas que entre nós é geralmente
muito mais baixa, e que frutifica nos Açores nos meses de agosto, setembro e
outubro, normalmente a partir do sexto ano. As folhas são persistentes,
coriáceas, elípticas e terminam em ponta, as flores, muito apreciadas pelas
abelhas, são cremes e os frutos são globosos e quando maduros são amarelados. As
sementes são aproximadamente esféricas.
O
jambeiro é cultivado essencialmente por ser uma bonita planta ornamental,
existindo em várias quintas particulares e em jardins públicos e privados, como
o Jardim José do Canto, o Jardim António Borges, o espaço ajardinado da Escola
Secundária das Laranjeiras, em Ponta Delgada, o antigo Jardim de Sebastião do
Canto, em Vila Franca do Campo, e o Parque Terra Nostra, nas Furnas. No Pico da
Pedra é possível encontrar jambeiros em alguns quintais.
Sobre
o jambeiro e a sua utilização na página amelia/palmela (https://www.ameliapalmela.pt/)
pode ler-se o seguinte:
“Possui um forte apelo ornamental especialmente na época
da floração, onde se cria um visual espetacular. É muito indicado para ser
plantado em calçadas, pois além de ficar muito bonita quando florida,
proporciona uma bela sombra para proteger os carros do sol. No seu tamanho
adulto pode atingir até 15 metros de altura e 60 cm de diâmetro do tronco,
porém para chegar a este tamanho deve demorar mais de 20 anos após a plantação.
Apresenta grande plasticidade às condições ambientais adversas (ex. alta resistência
ao vento e tolerância ao sal), e fácil adaptação aos ambientes de florestas
tropicais húmidas.
Apresenta diferentes
utilidades ao uso humano. Sendo usados como corta-ventos e para controle de
erosão (embora existam restrições). Sua madeira é amplamente usada como
combustível (lenha) (um dos principais motivos da sua ampla disseminação pelo
mundo) e para extração de tanino. Embora apresente baixa qualidade, a sua
madeira também é usada na construção civil e confecção de artesanatos. Os seus
frutos são bastante apreciados para consumo humano e usados para produção de
doces e geleias. Nalgumas regiões, madeira, raízes, frutos e sementes costumam
ser utilizadas na medicina popular.”
Para os interessados,
abaixo, publicamos uma receita de doce de jambo (http://www.andreaquitutes.com/2013/11/doce-de-jambo.html).
Ingredientes:
500 g de jambo amarelo, 1 e 1/2 xícara
(chá) de açúcar, 1/2 xícara (chá) de água, 5 cravos da Índia,
Modo de fazer:
Lave os jambos, corte-os ao meio, retire
os caroços.
No liquidificador, coloque o jambo e a
água, bata por alguns minutos.
Transfira a polpa para uma panela, junte o
açúcar e os cravos, leve ao fogo médio mexendo de vez em quando até engrossar.”
Teófilo Braga